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sábado, 4 de abril de 2015

#006 | O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson

Autor: Robert Louis Stevenson (Escócia)
Título Original: Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (1886)
Editora: Relógio d'Água
Edição: 1ª Edição, Janeiro 1987 (152 págs.)
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Hoje venho falar de um clássico de terror: O Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde, escrito por Robert Louis Stevenson.

Conheci esta história algures pelo meu 9º ano, quando tive que ler uma versão resumida da mesma para a aula de Inglês. Lembro de, na altura, não a ter achado nada de especial, embora o conceito de dualidade do personagem me tivesse acompanhado por muito tempo.
Por essa razão, resolvi reler a história, desta vez na sua versão completa.


Este clássico, lançado em 1886, aborda a questão do bem e do mal, numa época em que, na sociedade inglesa, ainda se debatia o caso real de um respeitado marceneiro que, de dia levava uma vida digna, cumprindo as suas responsabilidades enquanto, durante a noite, roubava as casas dos moradores da cidade.

Esta dicotomia entre o bem e o mal desde cedo intrigou Stevenson, sendo este o mote que inspirou o autor. Esta obra foi, na sua época, um sucesso imediato e uma das obras mais vendidas de Stevenson, sendo considerado um livro clássico de horror e suspense.

Adaptações teatrais da obra começaram a ser encenadas em Londres um ano após seu lançamento e, até aos dias de hoje, o livro tem inspirado a realização de diversos filmes, peças e mesmo animações.

Sobre a Narrativa

A narrativa tem início com Sr. Utterson – o advogado de Dr. Jekyll – caminhando pelas ruas silenciosas de Londres, acompanhado do seu parente afastado e grande amigo, Sr. Richard Enfield.
Nesta caminhada, os amigos passam por uma porta… Uma porta sem aldraba nem sineta, rachada e com manchas de bolor. Nesse momento, Sr. Utterson recorda estranhos acontecimentos envolvendo essa mesma porta, narrando-os ao amigo.

Utterson conta então que presenciou o momento em que Mr. Hyde, um homem de aparência detestável, andando em passo estugado, atropelou uma criança que vinha em sentido contrário, seguindo depois o seu caminho enquanto a criança ficou aos prantos na calçada.
Após perseguido e trazido ao local do acidente – onde já se tinha reunido um pequeno grupo de pessoas – o monstruoso homem, para evitar um escândalo, afirma que estaria disposto a pagar pelos prejuízos causados à família da menina.
Para garantir que o pagamento seria feito, Sr. Utterson acompanhou o estranho individuo, tendo-se este dirigido até à porta anteriormente referida. É então que Sr. Utterson fica estarrecido ao receber um cheque com fundos, assinado por Dr. Jekyll – um respeitado e admirado médico que é muito seu amigo.

O advogado fica desconfiado e confuso a propósito do último acontecimento, o que se agrava quando recebe uma notificação de Dr. Jekyll favorecendo, no seu testamento, ninguém menos que Dr. Hyde.

Neste ponto, Utterson começa a suspeitar que o seu amigo possa estar a ser vítima de chantagem por parte do abominável Mr. Hyde, uma vez que não consegue perceber de que outra forma se possam estar a relacionar estes dois homens tão diferentes.

Se por um lado Dr. Jekyll é um filantropo respeitado, e exemplo de conduta por outro, Mr. Hyde é descrito como grotesco, desagradável e de voz medonha.

Aos poucos, começa-se a perceber que o Dr. Jekyll está a comportar-se de forma cada vez mais estranha, começando a preocupar os seus empregados e amigos. Fica cada vez mais isolado no seu laboratório, recebendo frequentemente a visita do intrigante e violento Mr. Hyde.

O Sr. Utterson procura então conversar com o Dr. Jekyll sobre a decisão de deixar a sua herança para um ser tão vil, sendo-lhe respondido que a decisão está tomada, que é necessária, e que nada se tem a recear em relação a Mr. Hyde. Dr. Jekyll pede-lhe ainda que não se volte a falar desse assunto.
Desta forma, Sr. Utterson resolve não mais se intrometer.

Passado um ano, algo terrível acontece quando Sir Danvers Carew – influente cidadão londrino e cliente de Sr.Utterson – é brutalmente assassinado, com socos, pontapés e golpes de bengala, sob o olhar atento de uma jovem, que observava do alto de uma janela.
Após a descrição do crime pela testemunha, Mr. Hyde torna-se o principal suspeito, passando a ser perseguido pela polícia local.

Neste ponto, e preocupado com o que possa acontecer, Mr. Utterson, dirige-se a casa de Dr. Jekyll, para o avisar do perigo que representa Mr. Hyde. Contudo, o médico assegura-lhe que há algum tempo que não vê Mr. Hyde e que este já lhe havia deixado uma carta de despedida.

O tempo vai passando e, apesar da pequena fortuna oferecida pela cabeça de Mr. Hyde, este não é encontrado.

Essa época coincide com um Dr. Jekyll mais presente na vida dos amigos, após um longo período de ausência, voltando a organizar jantares e a participar de eventos para caridade, parecendo que tudo está a voltar ao normal.

Contudo, passado algum tempo Dr. Jekyll volta a isolar-se no seu laboratório, gerando grande preocupação nos seus amigos até que um dos seus empregados aparece em desespero na casa do Sr. Utterson e pede a sua ajuda. Ele acredita que seu patrão foi assassinado e que agora Mr. Hyde se esconde na casa.

Será?


Narrado com traços de novela policial – incluindo um crime, um grande mistério e alguém que os tenta desvendar – os capítulos encaixam-se perfeitamente, de modo que todos os elementos da narrativa se esclarecem no desenlace da história.

A atmosfera de suspense é bem trabalhada, sentindo-se o tempo todo a escuridão por trás da história.

A temática é pesada, mas o autor aborda um tema essencialmente humano: o bem e o mal que, inevitavelmente, convivem dentro de cada um de nós.



sábado, 24 de janeiro de 2015

#005 | Alice No País das Maravilhas, de Lewis Carroll

Autor: Lewis Carroll (Inglaterra)
Título Original: Alice's Adventures in Wonderland (1865)
Editora: Publicações Europa-América
Edição: 1ª Edição, Março 2010 (148 págs.)
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Hoje venho falar de um livro cuja história, certamente já todos conhecemos ou ouvimos falar: Alice No País das Maravilhas.

Conheci a história, talvez como a maioria dos da minha geração, através da longa-metragem adaptada pela Disney em 1951 e adorava essa animação!

Mais recentemente, em 2010, recordei a história através da adaptação dirigida por Tim Burton mas só agora, em 2015, li a história original… A que deu origem a todas estas adaptações!

O Livro

Alice's Adventures in Wonderland (Alice No País das Maravilhas) foi escrito por Lewis Carroll, (pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson), sendo actualmente considerada uma obra clássica da literatura inglesa e uma das mais célebres do género literário nonsense.

A história nasceu em 1862, quando Dodgson, professor de matemática no Christ College, em Oxford, fazia um passeio de barco no rio Tamisa com as três filhas do reitor da Christ Church, entre elas, a pequena Alice Liddell (com 10 anos na época). Para entreter as meninas, ele começou a contar uma história que deu origem à atual, sobre uma menina chamada Alice que foi parar a um mundo fantástico após cair numa toca de um coelho. A Alice da vida real gostou tanto da história que pediu que Carroll a escrevesse. Dodgson atendeu ao pedido e em 1864 surpreendeu-a com um manuscrito chamado Alice's Adventures Underground (As Aventuras de Alice debaixo da Terra).

A versão definitiva, ampliada, é apenas publicada a 4 de Julho de 1865 em Londres, já sob o pseudónimo Lewis Carroll, sendo um sucesso imediato na época.


O enredo

O livro conta a história de Alice, uma menina curiosa, que está com sua irmã à beira de um rio, quando vê um coelhinho branco passar diante dela, vestido de colete, e com um relógio na mão, dizendo que estava atrasado. Ele entra em uma grande toca e Alice, seguindo o coelho, cai na sua toca e vai parar num lugar fantástico povoado por criaturas peculiares e antropomórficas – o País das Maravilhas.

Alice vai explorando esse País das Maravilhas, tentando compreender o funcionamento do mesmo, e tomando conhecimento dos indivíduos que lá habitam: Bill, um Lagarto faz-tudo que vive a receber ordens, uma Lagarta azul que passa os dias a fumar um cachimbo de água, o eterno chá na casa da Lebre de Março, acompanhada do Chapeleiro Maluco e do Arganaz dorminhoco, o inesquecível Gato Cheshire e, claro, a Rainha de Copas, injusta e cruel, sempre disposta a mandar cortar a cabeça de qualquer um e por qualquer motivo.

Considerada uma história nonsense, ou seja, totalmente desprovida de sentido, estes diferentes personagens e diferentes núcleos, são-nos apresentados de forma completamente fantasiosa e repleta de situações invulgares e esquisitas, remetendo-nos para a lógica do absurdo muito característica dos sonhos.

Dividido em 12 capítulos, a história é curta e fluída, narrada numa escrita simples abundante em metáforas. Além disso, o livro está repleto de alusões satíricas dirigidas ao círculo de amigos (e outros não tão amigos) do autor, bem como de paródias a poemas populares infantis ingleses ensinados no século XIX e ainda de trocadilhos e referências linguísticas.

Este livro possui uma continuação – Alice do Outro Lado do Espelho – sendo que, actualmente, as duas histórias são muitas vezes editadas um livro só.

Esta edição vem com as ilustrações originais, de John Tenniel (muito conhecido pelas ilustrações das Fábulas de Esopo) que dão um toque de magia à história.


A minha opinião

Então… como expor a minha opinião sem ferir susceptibilidades?

A verdade é que me desiludi! Talvez por ter ido com muita sede ao pote – demasiada expectativa – acabei por me desiludir.

Como referi, adorei a adaptação da Disney e criei, no meu imaginário, uma Alice curiosa, divertida que, apesar de cair num cenário completamente sem sentido, alinha na situação e vai seguindo o seu rumo.

Já no livro, achei a Alice uma personagem extremamente... chatinha! Racionaliza muito o que se passa à volta dela o que, para mim, dado o contexto, não faz sentido nenhum! 

É sabido que nas histórias escritas para crianças, não há real necessidade de as coisas fazerem muito sentido, havendo a liberdade de nos remeter para mundos diferentes, em que tudo pode acontecer: os animais podem falar, os objetos podem ter vida… Contudo, apesar de se tratar de uma criança no País das Maravilhas, repleto de fantasia e situações inusitadas, a Alice põe-se a racionalizar tudo, e a avaliar a lógica das situações, o que não condiz com o ambiente em que se passa a história. Por exemplo, Alice não estranha os animais falarem, mas acha absurdo um porco ser tratado como um bebé…

Enfim… Quebrou-se o meu mito da Alice!

Como já referi, muitos dos enigmas contidos na obra contêm referências da época, como piadas locais, alusões a costumes, características, rimas ou trocadilhos que só fazem sentido na língua inglesa, pelo que são quase que imperceptíveis para os leitores atuais, especialmente para os não-anglófonos.
Por esse motivo, quanto às mensagens subliminares que ‘só adultos irão entender’, mais uma vez, vi-os sim… mas na adaptação da Disney! Sinto que, no livro, muitas dessas referências me passaram ao lado.

Senti, por isso, muita falta de notas explicativas que falassem sobre isso, ou mesmo de alguma espécie de texto de apoio sobre esses pontos do livro. Talvez um dia, quando estudar mais sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, possa entender melhor a história e apreciá-la melhor. Ou então, se me decidir a reler uma edição em inglês.

Sei de imensa gente que faz coleção dos livros em diferentes edições – algumas delas lindíssimas – e tenho realmente pena de não ter gostado tanto do livro assim ao ponto de querer investir numa edição mais caprichada… 
No fundo, gostava de ser daquelas pessoas que tem um livro do qual gosta tanto, mas tanto, que coleciona edições.




#004 | Mrs. Dalloway, de Virgínia Woolf

Autor: Virgínia Woolf (Inglaterra)
Título Original: Mrs. Dalloway (1925)
Editora: Clube do Autor
Edição: 1ª Edição, Agosto 2011 (203 págs.)
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‘Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself’

Hoje venho falar um pouco do incrível Mrs Dalloway de Virgínia Woolf.

A história decore na Londres dos anos 20 – após o término da I Grande Guerra – e começa quando Clarissa Dalloway – esposa de um deputado conservador e mãe de uma jovem de dezassete anos – sai de casa para ir comprar as flores, para a festa que daria nessa noite.

No seu caminho pelas ruas de Londres até à floricultura, Mrs. Dalloway vai observando o que se passa à sua volta e vai ocupando a sua mente com diversos pensamentos, entre os quais, memórias do passado e a sua juventude.


No seu percurso, Mrs. Dalloway cruza-se com uma série de outras personagens que, gradualmente, nos vão sendo apresentadas.
De entre estas destaca-se Septimus Warren Smith, um veterano da Primeira Guerra Mundial, casado com uma imigrante italiana. Septimus é um homem com profundas cicatrizes psicológicas e prestes a enlouquecer e que, nessa manhã, acompanhado pela sua esposa, se dirige ao psiquiatra.

O percurso destes personagens vai-nos então sendo narrado a partir das reflexões dos mesmos. Isto é, através de uma técnica de fluxo de consciência, a autora conta a história a partir do pensamento dos personagens: sabemos o pensam e o que sentem, sendo estes pensamentos geralmente questionamentos sobre situações do dia-a-dia, ideias ou mesmo lembranças do passado.
Desta maneira, a narrativa constrói-se sem uma linha temporal fixa, alternando entre o passado e o presente, na qual acedemos ao íntimo dos personagens, aos seus sentimentos mais privados, às suas contradições e aflições.

Por meio de uma alternância constante entre o discurso direto,  indireto e  indireto livre – que tornam ímpar o desenvolvimento do fluxo de consciência vamos revezando muitas vezes entre os pensamentos dos diferentes personagem, numa alternância deveras subtil que, por vezes torna difícil perceber que já estamos na mente de outra pessoa.

O enfoque vai então para o que cada um pensa e sente, estando a acção – o que cada um faz – muitas vezes posta para um segundo plano. Por esta razão, essa acção (sair de uma sala ou abrir uma porta) é-nos muitas vezes descrita entre parêntesis, como se de um pormenor apenas de tratasse.


Além de Clarissa e Septimus, somos ainda apresentados a outros personagens – que entram e saem de cena sem aviso prévio e sem marcação que distinga suas falas e suas ideias – conhecendo o ponto de vista de todos eles. Desta maneira, as personagens vão, ao longo da narrativa, adquirindo uma grande consistência, tornando-se credíveis e reais.

Durante os seus preparativos para a festa, Clarissa recebe a visita de Peter Walsh – o seu primeiro amor, preterido por ela e por seu pai em favor de Richard – o Mr. Dalloway – em virtude de sua condição financeira e social.
Peter, regressado da Índia, volta a Londres para falar com seus advogados sobre o seu divórcio e o seu regresso vai despertar em Clarissa memórias o passado, trazendo-lhe à lembrança os sonhos adolescentes, acordando na anfitriã sentimentos contraditórios.

Clarissa repensa nas suas escolhas de vida, nos seus momentos de mais intensa felicidade, no seu casamento com Richard Dalloway, pensa na filha adolescente – Elizabeth, em miudezas da existência e no esplendor da vida, forçando-a a reflectir sobre o tempo presente e sobre o que teria sido de sua vida se, porventura, suas escolhas tivessem sido outras.

Outro interesse romântico de Clarissa que também aparece na festa e a deixa ainda mais confusa é Sally – a completa antítese da protagonista.
Sally teve um papel importante na vida da jovem Clarissa, pois foi das poucas pessoas pobres com quem ela conviveu. Mostrou-lhe que era possível aproveitar a vida sem dinheiro e foi uma mulher que,  pelo seu comportamento livre e espontâneo e pela sua falta de pudor, chocava os outros. Foi uma mulher com quem Clarissa partilhou um amor puro e juvenil na adolescência.

Paralelamente aos preparativos da festa de Clarissa, vamos acompanhando a caminhada de Septimus, nas suas frequentes visitas ao Psiquiatra, as suas alucinações com o seu grande amigo Evans – que morreu na guerra – rumando à recomendação de internamento num hospital psiquiátrico.

É interessante notar que, apesar de Clarissa e Septimus partilharem a mesma cidade, ruas, parques e momentos, nunca, ao longo da narrativa, se falam ou se encontram.

E enquanto Septimus expõe a sua dor ao mundo, Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobre-o com uma capa de falsa confiança e com festas.


E é assim, entre o passado e o presente, entre os pensamentos de diferentes personagens que vamos avançando na narrativa, e avançando no tempo até ao culminar na festa de Clarissa.

Aliás, esse passar do tempo, é uma referência constante ao longo do livro, marcado pelas batidas do relógio (lembrando que o título inicial para o livro seria 'As Horas'...)

Publicado em 1925,  Mrs. Dalloway é considerado por muitos a obra mais importante de Virginia Woolf (1882-1941) e comprovou que acções corriqueiras, quotidianas – como comprar flores –, podem ser tema de grande arte, e que a vida e a morte acompanham todos os momentos da existência humana.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

#003 | Quando a Neve Cai, de John green, Maureen Johnson e Lauren Myracle

Autor: John green, Maureen Johnson e Lauren Myracle (Estados Unidos da América)
Título Original: Let it Snow: Three Holiday Romances
Editora: TopSeller
Edição: 1ª Edição, Novembro 20014 (320 págs.)
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Chega Dezembro e com ele chegam as leituras temáticas, voltadas para o Inverno, final de ano e, como não poderia deixar de ser, para o Natal.
Este livro, que tão bem combina  com a época, engloba três contos, escritos por 3 diferentes autores.


Todos os contos se passam na Véspera de Natal, quando uma forte e inesperada tempestade de neve isola uma pequena cidade. O que começa como um grande imprevisto, com potencial para estragar a véspera de Natal a toda a gente, acaba por se tornar o factor desencadeante de uma série de aventuras.

Um aspecto interessante no livro é que os contos se interligam, dando a ideia de continuidade entre os mesmos.
As personagens principais de um conto entram como personagens secundárias dos outros, interagindo em algum momento da história.

O livro é editado pela TopSeller e tem uma capa lindíssima (na minha opinião, claro!) que, de alguma forma, nos remete um pouquinho para a história (principalmente para o primeiro conto).

Vamos falar dos contos?

O Expresso Jubilee (Maureen Johnson)
Neste conto é narrada a história de Jubilee, uma rapariga de Richmond que, na véspera de Natal, se vê forçada a ir passar o Natal com os avós, que moram na Flórida.
Para isso, Jubilee terá que fazer uma longa viagem de comboio, sozinha, quando, na verdade, o que ela queria era passar a data com o namorado (que até então ela julgava perfeito).
É então que começa uma tempestade de neve e o comboio de Jubilee fica preso no nevão, sem possibilidade de prosseguir viagem. 
O comboio está próximo da cidadezinha de Gracetown e, para não morrer de tédio no comboio, Jubilee resolve procurar abrigo numa Waffle House.
Na Waffle House ela conhece alguns dos habitantes de Gracetown – também retidos pela neve – entre eles, Stuart, um rapaz que recentemente havia enfrentado uma desilusão amorosa.

Um Milagre de Natal Fantabulástico (John green)
Aqui é-nos contada a história de Tobin, JP e Duke que, em plena véspera de Natal se vêm sozinhos em casa com pouco mais do que uma maratona de filmes do James Bond para se entreterem.
Entretanto, Tobin recebe uma chamada de Keun – funcionário da Waffle House (sim, a mesma Waffle House) – avisando que um grupo de cheerleaders acaba de entrar para se abrigar do nevão.
Os três amigos são então convocados para levar o jogo Twister como forma de distrair as cheerleaders, mas há um senão: alguns 'rivais' também foram convidados e, só quem chegar primeiro poderá entrar. Para Tobin e JP esta torna-se a verdadeira missão da noite de natal: Chegar à Waffle House – e Duke, apesar de ser uma rapariga (o nome engana e no conto vão perceber porquê), junta-se aos amigos nesta loucura.
Sim, porque sair de carro no meio de uma tempestade de neve… Só pode ser uma loucura!

O Santo Patrono dos Porcos (Lauren Myracle)
Neste conto é-nos narrada a história de Addie, um adolescente egocêntrica e dramática que, por determinado motivo, traiu o namorado e tenta desesperadamente reconquista-lo.
Ao longo do conto, Addie percebe que tem que mudar a sua postura e provar a si mesma (e aos outros) que consegue pensar em algo mais do que nela mesma.
Assim, Addie assume a missão de ir buscar o presente de Natal de uma de suas melhores amigas: um porquinho! Num dia de neve, trabalho e muitos desencontros, essa tarefa pode revelar-se mais difícil do que parece à primeira vista.


Inserido no género juvenil / jovem-adulto, é um livro leve, bom para um domingo à tarde (ou  véspera de Natal) , de preguiça no sofá, uma vez que a escrita é fluída e se lê rápido.
As histórias não têm uma profundidade por aí além, não é um livro que nos faça pensar muito e, por isso, recomendá-lo-ia a quem buscasse uma leitura fácil, de entretenimento.

De entre os três contos, não tenho um preferido, embora possa afirmar que o que menos gostei foi do terceiro conto – O Santo Patrono dos Porcos.
O conto tem uma mensagem bonita – não devemos exigir demasiado das pessoas que amamos e, se elas não demonstram o amor da forma que queremos,  isso não significa que não nos amem – mas,  talvez pela personagem ser tão egocêntrica e tão mimada, não me consegui afeiçoar a ela. A sua busca interior e a sua mudança decorrem ao longo de um único dia (sim, um dia!) pelo que me parece um pouco forçada a história da redenção súbita e do milagre Natalino.
Essencialmente, o que me fez continuar a ler este terceiro conto foi o revelar das ligações entre os personagens – incluindo os de contos anteriores – uma vez que Jeb, o namorado traído, aparece e desperta a curiosidade sobre si logo no conto inicial.

Feliz Natal!